20090329

É em dias como hoje que venho aqui e (d)escrevo a saudade e o espaço vazio que às vezes aumenta muito dentro do peito e chega a ser maior do que a vontade de seguir em frente.

Venho aqui, a esconder as palavras detrás de outras palavras.

20071014

E apesar de tudo ainda há aquela saudade que aperta o coração, que quase tira a respiração e faz chorar.

20070401

Já não é frio que tenho sem ti, porque estás sempre comigo; apenas arrepios. Nem tremo nem digo. Chego-me só a ti, devagarinho, para descansar um pouco. Para que me descanses.

20061107

A distância é fria. Mas o gelo pode derreter e trasformar-se em poças de água, que reflectem a nossa cara. E, enquanto nos vemos, vai aparecendo outra cara por trás. Outra cara que nem assusta, que nem é preciso reconhecer, porque nunca deixou de ser conhecida. Que está sempre lá.

20061020

Passei, não estavas. Fui ficando, sentei-me no chão. Já viste? É sempre no chão. Desta vez quis adormecer, quis pensar que chegarias, que acordaria contigo ali a dizer-me "então, janico?". Em vez disso tive apenas frio. Daquele que doi, que não faz bater o dente mas pareçe congelar o coração.

20060820

E, ainda que não pareça, caminhar ao encontro de caminhos entrecruzados e ficar a ver o outro lado do mundo, através da penumbra do véu das estrelas....

20060808

Longe mas sempre perto. E quão bom é, na saudade, ouvir o teu riso e rir contigo! Sim, sempre contigo.

20060806

quase

Venho aqui e ainda deves estar bem longe. E assim é uma maneira de me lembrar de ti. E de vir partilhar contigo palavras. Ou só a presença, que é o importante e o que basta, quase sempre.
Está quase. Amanhã é mais fácil.

20060804

Hoje acordei e tinha saudades... Andei e andei. Devo ter feito uns 400 quilómetros. E, quando cheguei de novo à sala e me vi pronto para ligar e não estavas aqui, senti-me sozinho. E também não estavas no telefone. E veio outra vez auqele vazio. E então voltei à casa com pó. E sentei-me ao pé da tua memória... Mas o sorriso não saiu. Nem mais nada saiu...

20060720

Não resisti a vir sacudir o pó. Voltar ao abrigo, ao porto seguro, deixar as pegadas na camada de pó já espessa, devolver a cor às coisas, pô-las à frente do nevoeiro. Sujar-me no que não limpei. Sentar-me no chão, num dos cantos, descalça e rir um bocadinho depois de chorar.

20060522

A partida é inevitável. E vai ser bom partir.
Quanto às correrias, já sabes. Sou como sou, normalmente corro até não aguentar mais e cair. Depois levanto-me, paro, vejo para que lado quero seguir e recomeço a caminhada, em passo mais lento. Pouco depois já estou a correr de novo.
Este tempo vai ser tempo de correr e parar. Não podemos correr até cair porque não temos tempo para recuperar a caminhada que perdemos enquanto vemos para que lado temos de ir. Agora é fixar o caminho, tentar não desviar o olhar e manter o ritmo. Correr apenas para apanhar o comboio, se chegamos atrasados à estação, e parar lá dentro para descansar, até chegarmos a destino, marcarmos de novo o ritmo (se, acaso, a corrida o apagou do nosso corpo) e continuarmos a caminhar.

Não é difícil apanhares-me, mesmo quando perdes o meu ritmo e te adiantas (já que raramente te atrasas). Ainda por cima agora, que temos apanhado tantas vezes o mesmo comboio.

20060518

passos

Depois do primeiro passo, os seguintes, e por aí fora, damos por nós e estamos a correr.
Mas agora, que se aproximam tempos cheios de bifurcações (ou tri, ou mais!), é preciso abrandar o passo e olhar. Digo-te isto a ti... Sou eu que abrando o passo, quase paro (ou paro mesmo!) em frente dessas bifurcações. Não sei até que ponto te posso dizer isto. Se não quiseres abrandar o passo, então continua a correr. Talvez te acompanhe.

E, seguindo qualquer coisa que mal se distingue, lá ao fundo, partir, seja para ali ao lado, seja para aqui tão longe.

20060516

Quem é vivo sempre aparece!

Sim, sabes que não tenho tido o tempo que preciso. E, como sempre, sabes sem que precise de te dizer…
É bom sentir-me assim, e é bom saber que isso também se reflecte em ti. Mas nem sonhes quem isso anula o teu insulto à minha querida kooky! Que fique explicito que a minha cadela é uma cadela que, além de ser belíssima, é também muito inteligente! Exalta-se com alguma facilidade, mas isso reflecte o espírito protector em relação a dona (eu, repare-se!). Além disso, viver comigo e jogar com o baralho todo é uma missão impossível. Na verdade, ainda ninguém conseguiu sobreviver intacto…
Quanto às brincadeiras e às coisas serias, quando é que, numa, não há parte de outra? Eu pelo menos quero crer que o há sempre.
O passo foi dado. O meu, o nosso. E, se podemos viver por nós ou viver na sombra do que podíamos ser, prefiro viver por mim. Mas tu sabes. Agora é caminhar… afinal, isso é tudo.

20060512

contentamento

Yoha, sei que não tens tido tempo para aqui vir, com a calma de que precisas.
Venho eu, então, dizer-te que fiquei muito contente com o passo que deste esta semana.
É bom ver-te assim, cheia de força. Não a percas, mantém-te assim, viva! Nem preciso pedir-te, sei que o vais fazer...
E não te esqueças que, agora que puxámos a corda com força, é só agarrar a mão e aguentar firme, se for preciso.

20060430

pingo de chuva

Tem feito sol e não tenho aproveitado. Ando por aí, em casa e, mesmo fora de casa, não aproveito o sol. Por isso, vim aqui deixar qualquer coisinha, que isto nunca mais começa! A ver o que dá... Entretanto, aproveito para dizer que a Cooky é uma chata. Já sei que isto vai originar reacções adversas e calorosas do outro lado, mas tinha dito que escrevia isto, não era? Então encolho-me, levo uma palmada e deito a língua de fora.
De resto, desafio-te Yohanan, a começares isto comigo, mesmo à séria. Ou a brincar, que é a mesma coisa, no fundo. As brincadeiras foram das coisas mais sérias que fiz... Não é?